Realizou no passado dia 1 de dezembro, 1º. Domingo do Advento, o “Dia de Espiritualidade”, que decorreu entre as 9,30 e as 16,00 horas, no Centro Paulo VI, em que foi palestrante o Padre Jesuíta, Bruno Nobre, sj. O Pe. Bruno Nobre sj, é diretor da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Católica, em Braga e colaborador do Centro Académico de Braga (CAB). O dia de Espiritualidade, constou de três reflexões ao longo do dia, e uma Eucaristia de encerramento.
Em 1º. Domingo do Advento, o Padre Bruno Nobre, centrou a sua primeira reflexão na vida oculta de Jesus, numa proposta de poder-mos abrandar um dia, para um tempo lento, numa vida muito acelerada, - Advento em tudo, como tempo de vida oculta. O Advento é um tempo oculto em que a própria terra está a repousar, o que não significa parar de crescer, mas crescer para dentro!
Na vida de Jesus, há 30 anos de vida oculta preparando os mais ou menos três anos de vida Pública. A vida pública de Jesus é longamente preparada; Jesus é o nosso modelo e se Ele precisou de um tempo longo de silêncio e preparação, também nós precisamos de cultivar a intensidade de dar espaço ao silêncio e a Jesus. Na nossa vida de Cristãos precisamos de tempos de vida oculta.
Contemplar a vida oculta de Jesus, a que somos convidados no Advento, é um tempo propício para rever a nossa vida, crescer para dentro, ganhar raiz para depois dar fruto, tomar consciência de como cheguei aqui! Como é que eu tenho cuidado da minha relação com Jesus.
Na segunda reflexão da manhã o Padre Bruno Nobre, centrou a sua reflexão em Nossa Senhora,
“A Mãe do silêncio, Mãe do Senhor e citou o Evangelho de S. Lucas, sobre a Anunciação e saudação do Anjo Gabriel a Maria, referindo: somos convidados a ser visitados; estamos num momento de vida oculta de Nossa Senhora, só ela e o Anjo presenciaram este encontro, mais ninguém. Maria ficou perturbada, quando é encontrada pelo Anjo Gabriel, e o palestrante questiona! Como é que eu cheguei aqui a este tempo de espiritualidade, como cheguei aqui neste momento, qual é a minha relação com o Senhor; Jesus faz a pergunta: como estás? E quer saber a resposta, a exemplo dos discípulos de Emaús, que caminhavam desanimados, ao que Jesus lhes pergunta; que perguntas são essa que trocais entre vós? ao que os Discípulos respondem: Tu és o único que não sabe o que aconteceu em Jerusalém; e o que foi? Pergunta-lhes Jesus.
O Anjo manifesta-se a uma jovem humilde de uma pequena cidade chamada Nazaré, é no seu quotidiano que Maria se encontra com o Anjo; Deus encontra-nos no quotidiano da nossa vida, Ele visita-nos no nosso quotidiano. O nosso Deus gosta de ir às margens; como refere o Papa Francisco, também ele gosta de ir às margens! Como e que eu tenho sido alcançado por Deus no meu quotidiano? O que o Senhor quer fazer em mim, o que está a fazer em mim, o que me tem dito?
Isabel que era estéril e de idade avançada e concebe um filho na sua velhice, porque a Deus nada é impossível. Para Isabel, parenta de Maria, era impossível ser mãe, e no entanto o Anjo diz a Maria que Isabel vai ser mãe. Maria convidada a ser a Mãe de Jesus diz ao Anjo: faça-se em mim segundo a Tua palavra. O Cristão é ouvinte da palavra, Maria é ouvinte da palavra, Maria é o Ícone da Igreja, que acolhe a palavra de Deus. Somos ouvintes da Palavra e esperamos que o Senhor nos escute: Como está a minha vida na relação com o Senhor Jesus, tomo consciência de que Deus vem ao meu encontro?
A 3ª. Meditação, teve início a 3ª. Com a projecção de um pequeno filme que pretendeu fazer um convite a receber-mos a luz e leva-la aos outros. O Padre Bruno Nobre citou a passagem do Evangelho de S. Lucas sobre a visita de Nossa Senhora, a sua prima Isabel, referindo: por aqueles dias Maria pôs-se a caminho; o encontro daquelas duas mulheres sugere-nos o encontro com alguém, leva-nos a constatar como tem sido os nossos encontros com os outros, em movimento de saída. Maria leva-nos ao encontro com os outros, é próprio dos cristãos partilhar esta luz que nos faz felizes e que devemos levar aos outros.
Quem se encontrar com o Evangelho, depois quer partilhar com os outros! Como o tenho sido desafiado a partilhar esta luz com os outros, num contexto que não é isento de dificuldades.
A coragem de Maria, que vai á montanha, é um desafio para ir-mos ao encontro do outro. Bendita és Tu entre as mulheres, Isabel bendiz Maria, S. Paulo diz: bendizei e não amaldiçoeis! Nas nossas comunidades quando falamos mal dos outros contribuímos para as destruir, ao contrário quando falamos bem, contribuímos para as edificar; a murmuração corrói a comunidade, podemos dignificar, mas também podemos humilhar; Qualquer pessoa tem algo de bom, é preciso afinar o nosso olhar, para ver bem o que há nos outros!
O nosso mundo considera que tudo está mal, não vê que está tanta coisa que está bem, o bem que é feito, á sempre algo a melhorar, mas há tanta coisa boa, não é próprio do cristão alimentar a crítica destrutiva; reconhecer que Deus está presente em todas as comunidades.
O convite á fraternidade e amabilidade: Citando a Exortação Apostólica do Papa Francisco “Fratelli Tutti” sobre a Fraternidade e a Amizade, o Padre Bruno Nobre, referiu: Hoje não há tempo para dizer – tudo bem, obrigado, dizer uma palavra amável, um processo de escuta. Um cristão é um fazedor de escuta, é um fazedor de pontes; Onde quer que se encontre Nossa Senhora construía pontes, amabilidade, Bênção, escuta: bendito é o fruto do teu ventre.
Este é o ideal de todos os encontros, nós devemos levar Deus connosco: Maria levava Jesus no seu seio, nós somos chamados a levar Deus aos outros. O menino exultou de alegria no seio de Maria; somos portadores de Deus, como nossa Senhora - Jesus gera alegria, são muitas as passagens do Evangelho em que Jesus vem visitar alguém. Em Jesus Cristo Deus visita a humanidade, na passagem dos discípulos de Emaús, Jesus é convidado a ficar com eles, porque Jesus aceitou ficar naquela casa, tornou-se hospede. Somos chamados a levar Cristo aos outros, levar todos a Jesus. Cada cristão deve ser agente de consolação.
O dia de Espiritualidade encerrou com a celebração da Eucaristia do III domingo do Avento, presidida pelo Padre Bruno Nobre e concelebrada pelo Padre Torres Lima, Assistente Espiritual Diocesano do MCC e Monsenhor Manuel Vilar, diretor da Escola do MCC.
De registar a presença de cerca de 100 pessoas, quase na sua totalidade Cursilhistas, vindos dos vários Arciprestados da Diocese; a Presidente do MCC, Conceição Ponte e demais membros de Secretariado Diocesano.