Realizou-se no dia 16 de março, pelas 21h15 no Centro Paulo VI, a 6ª. Sessão de Escola do MCC, em que foi palestrante o Padre Renato Oliveira, que apresentou o tema: “Aquele que venerais sem o conhecer é esse que vos anúncio!” A presença do cristão nos areópagos de hoje.
O Padre Renato Oliveira começou por referir: Os desafios que se colocam aos cristãos nos areópagos de hoje, que são desafiantes, para os quais não há soluções mágicas, mas há caminho a percorrer, para ser areópago do nosso tempo, referiu-se ao tema da nossa Diocese “Carta Pastoral do nosso Bispo, “Ser fermento do Evangelho no meio do mundo” e citou o capítulo VII dos Actos dos Apóstolos, onde Paulo nos aparece como construtor de pontes, no contexto da citação; aquele que vós venerais, sem o conhecer é esse que vos anúncio!
Passados muitos séculos na realidade os Areópagos de hoje não são muito diferentes ao ambiente que Paulo encontrou nos Areópagos em Atenas no seu tempo. Hoje também há muitos ídolos que não deixam lugar para Deus.
Hoje no mundo há três grandes ídolos que não deixam espaço para o encontro com Cristo:
O Individualismo - A vida centrada no eu torna difícil o encontrar Deus, dar corpo a uma Igreja que é comunhão; a dificuldade das pessoas hoje entrar em comunhão! Nestas condições torna-se desafiante construir comunidade.
O Materialismo – A construção de uma vida focada a pensar nos bens materiais, não dá espaço para Deus. Querer os bens saudáveis é saudável, se não for um fim único. O Papa francisco falou-nos numa economia que mata, uma economia toda virada para o lucro. A nossa vida passa pelos bens materiais, mas nunca para além deles!
O imediatismo – Tudo para hoje, tudo para ontem, não têm paciência para processos, queremos tudo no imediato. A fé cristã é sobretudo um caminho em que vai ao seu lado Cristo, perdemos a capacidade de parar, de processar a vida.
O afastamento da Igreja – Todos temos consciência de que está a diminuir o número dos que vão á missa, dos que se casam pela Igreja, dos que mandam os filhos á catequese. Quanto mais afastadas estão as pessoas da Igreja, mais nos devemos preocupar em levá-las á Igreja; Fazemo-lo para bem deles, porque os queremos trazer para Cristo. Quando se convida alguém para fazer um cursilho é porque o cursilho lhe faz bem!
Falando dos novos areópagos o Padre Renato, refeiu-se ao “sínodo sobre a sinodalidade” referindo que a Paróquia é o lugar privilegiado de comunidade em que se desenrola a sua vida! Hoje há um grande desafio, temos uma grande mobilidade, com a perda de sentido de comunidade, não estando ligado a um território.
Hoje temos de ir às escolas, às universidades, às empresas, às associações, é fundamental pensar a pastoral para além das Paróquias, que no entanto se consideram fundamentais.
Como deve ser a nossa presença nos lugares? – Não há respostas mágicas, o Papa Francisco refere como devem ser a nossa presença nestes areópagos! Estar, escutar, discernir, é preciso estar nesses areópagos, no meio do mundo: Escutar – perceber que temos diante de nós as suas preocupações e anseios, hoje anunciando o mesmo Cristo, mas inculturado, percebendo os seus anseios e preocupações.
Discernimento – Centrar-me no Espírito, escutar o Espírito Santo, saber o que devo dizer naquela hora, naquele contexto, naquela lugar concreto, àquela pessoa concreta e sobretudo aos jovens, temos que os ouvir.
Que características se devem cultivar em nós para ir para o mundo? o conhecimentos - a formação é fundamental num mundo onde a formação académica é maior.
Sentido prático - Levar às pessoas o sentido prático das coisas, tocar o coração da pessoa que está á minha frente.
Simplicidade – É precisa muita simplicidade no contacto com as pessoas, criando empatia. Amabilidade - A delicadeza da forma como falamos, como estamos, sendo discípulos de Cristo, acolhendo mostrando que olhamos para os outros como irmãos.
Muita paciência, Parece que nos empenhamos tanto e não resultou! Paciência nós fizemos a nossa parte, deixemos que Deus faça a outra.
E o Padre Renato terminou a sua palestra referindo: Deixo-vos este desafio em não apenas assistir, mas indo ao encontro deles, praticando a humildade, com simplicidade e paciência.