Escrito por José Borlido

2025   padornelo 3Realizou-se no dia 30 de outubro de 2025 às 21h00, no Salão Paroquial de Padornelo, a Ultreia Regional, para os Arciprestados de: Caminha, Melgaço, Monção, Paredes de Coura, Valença e Vila Nova de Cerveira. O Rolho foi a Luísa Sá de Paredes de Coura, O Reitor da Ultreia foi o Padre Joel, que proclamou o Rolho Místico. As ressonâncias ao Rolho estiveram a cargo da Cátia Asseiro de Vila Nova de Cerveira, António Araújo de Refóios - Ponte de Lima   e Sandra Carvalho de Brasília-Brasil.

A Ultreia teve início com a evocação do Espírito Santo e a leitura do Evangelho, a que se seguiu a reunião de grupo.

O Rolho teve como tema “Sou peregrina da esperança” apresentado pela Luísa Sá de Paredes de Coura que começou por citar D. Manuel Clemente que referiu à Agência Eclésia, que a celebração dos Jubileus convocados pelos papas desde 1300, nasceu por iniciativa “popular” e que depois a hierarquia da igreja não deixou cair.

Nesse mesmo ano, o Papa Bonifácio VIII instituiu o primeiro Ano Santo, sendo que a partir daí, o fiel e Santo povo de Deus viveu esta celebração como um dom especial de graça, caracterizado pelo perdão dos pecados e, em particular, pela indulgência, expressão plena da misericórdia de Deus. O Ano Santo, inicialmente com frequência centenária, passando posteriormente e segundo o modelo bíblico, a cinquentenária, chega aos nossos dias fixada de 25 em 25 anos.

Na bula de proclamação do Jubileu 2025, intitulada “Spes non confundit” (a esperança não desilude), o Papa Francisco anunciou solenemente o início e o fim das celebrações do Ano Santo, entre 28 de dezembro de 2024 e 6 de janeiro de 2026, naquele que será o XXVII Jubileu ordinário da história da igreja.

Sendo a esperança a mensagem central deste Jubileu todos os peregrinos de esperança que chegarão a Roma para viver o Ano Santo e, todos aqueles que nesse período não poderão deslocar-se à cidade dos apóstolos Pedro e Paulo, celebrarão um momento de encontro, vivo e pessoal com o Senhor Jesus, “porta” de salvação; com Ele, que a igreja tem por missão anunciar sempre, em toda a parte e a todos como sendo a “nossa esperança”. Todos esperam. No coração de cada pessoa encerra-se a esperança como desejo e expectativa do bem, apesar de não saber o que trará consigo o amanhã. Porém esta imprevisibilidade do futuro faz surgir sentimentos por vezes contraditórios; desde a confiança ao medo, da serenidade ao desânimo, da certeza à dúvida.

Muitas vezes encontramos pessoas desanimadas que olham com cepticismo e pessimismo para o futuro, como se não lhes pudesse proporcionar felicidade. Que o Jubileu seja, para todos, ocasião de reanimar a esperança! A palavra de Deus ajuda-nos a encontrar as razões para isso. Que nos ajude também a encontrar a confiança necessária, tanto da igreja como na sociedade, no relacionamento interpessoal, nas relações internacionais, na promoção ou dignidade de cada pessoa e no respeito pela criação. “É o nosso coração que, mesmo duvidando, mesmo levantado tantas perguntas, mesmo carregado de medos e de escuridão, pode compreender a dimensão da esperança para a qual fomos chamados” – José Tolentino de Mendonça.

Que o testemunho crente seja fermento de esperança genuína no mundo, anúncio de novos céus e nova Terra, onde habita a justiça e a harmonia entre os povos, visando a realização da promessa do Senhor.

Que a força da esperança encha o nosso presente, aguardando com confiança o regresso do Senhor Jesus Cristo, a Quem é devido o louvor e a glória agora e nos séculos futuros. “Ser peregrino é ser um poeta ao vento com asas no pensamento que voam a toda a hora; ser peregrino é ter Deus por companheiro que dê força ao caminheiro e o leve a nossa senhora” (músico e compositor - Carlos Macedo)

Ser peregrino é caminhar em direcção a um santuário, e descobrir que, desde o início já o leva dentro de si. Ao iniciar uma caminhada vários são os sentimentos que nos invadem. A de alegria de caminhar em direcção a Jesus, a fé que move montanhas, o medo que o trilhar os caminhos nos traga sofrimento, a ansiedade de chegar depressa, mas simultaneamente não querer que o caminho termine.

Uma coisa eu sei, que vou ser resiliente, que vou ser corajosa, porque reconheço que sou uma pessoa querida por Deus, a quem sou grata por tudo o que a vida já me deu, pelas pessoas que preenchem a minha vida, pelas experiências de fé que já vivi. É agradecer antes por saber que Deus está sempre comigo e há sempre um propósito em cada vivência, em cada encontro e desencontro.

A Rolhista falou-nos da beleza e emoção vivida na peregrinação de Santiago de Compostela com o seu companheiro de vida, o Fernando; considerando ter sido uma experiência única, inesquecível, emocionante, que veio concretizar um desejo antigo, gravando na memória cada passo dado, cada monumento, alegrias partilhadas, sofrimentos ocasionais, cada peregrino que se cruzou no nosso caminho, independentemente da sua nacionalidade, língua, cor ou idade, a beleza singular da natureza ao longo do caminho e aquele momento indiscritível, que é a chegada à Praça Obradório, referindo ter feito por cinco vezes o Caminho Central Português, uma vez o Caminho da Costa, uma vez o Caminho Inglês e uma vez de Santiago de Compostela até Finisterra, passando por Muxia e mais recentemente fiz o Caminho Central Português, Variante Espiritual.

Neste último, embora tenha feito as duas pré-etapas, ligando Padornelo até Valença, o dia marcado para o início desta minha última peregrinação com os restantes colegas de jornada, estava marcado para o pretérito dia 13 de outubro, data tão especial para os portugueses, pois assinala a última aparição de Nossa Senhora de Fátima aos três pastorinhos em 1917, acontecimento que ficou conhecido como o “Milagre do Sol” e igualmente é o dia reconhecido como o “Dia Nacional do Peregrino”.

Falou-nos «com entusiasmo» de outras experienciais ricas e comoventes de outras peregrinações a S. Tiago e dos contratempos que por vezes surgem quando tudo parece estar preparado, contando que nos últimos caminhos teve o privilégio de ter um peregrino especial, que deu ainda mais sentido à minha caminhada, o Sr Padre Joel, nosso pároco, que deu um sentido diferente e ainda mais profundo, que para além da sua companhia amiga deu-nos a oportunidade de ter um verdadeiro pastor no caminho, nunca abandonou nenhuma das suas ovelhas, permitiu-nos momentos únicos, desde a confissão à oração da manhã, a recitação do terço, até à celebração da eucaristia num simples quarto de descanso. Era notório o seu esforço, para dar mais sentido à nossa caminhada.

Referiu que, até hoje já percorreu 52 etapas, totalizando mais de 1350 km e em todas as chegadas, falando das suas emoções da gratidão sentida nos Caminhos de Santiago. Ainda este ano acompanhei o meu marido numa peregrinação ao Santuário de Nossa Senhora de Fátima. Estive no magnífico jubileu das famílias em Roma, e terminou deixando-nos uma sugestão: Se nunca fizeram uma peregrinação, seja qual for a razão, experimentem. Poderão constatar que a partir daí mais nada será igual nas vossas vidas.

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