Escrito por José Borlido

2025   meadela 4Realizou-se no passado dia 21 de outubro, às 21h00, no Salão de Festas do Centro Paroquial da Meadela, a Ultreia Regional para o Arciprestado de Viana do Castelo, do Movimento Diocesano dos Cursilhos de Cristandade, em que o tema foi: Faz- te ao Largo, Escuta e Anuncia! Foi Reitora da Ultreia, Conceição Ponte da Meadela; o Rolho Leigo, esteve a cargo de José Borlido da Meadela e o Rolho Místico foi apresentado pelo Monsenhor Vilar, diretor da Escola do MCC, As ressonâncias estiveram a cargo de António Jorge da Areosa; Maria Ester de Alvarães e Maria Salomé da Meadela.

Como habitualmente a Ultreia teve início com a Leitura do Evangelho. A que se seguiu a reunião de grupo. Terminada a reunião de grupo, teve lugar a proclamação do Rolho, Faz- te ao Largo, Escuta e Anuncia!

O Rolhista começou por referir: Podemos centrar o tema deste Rolho/Reflexão, na passagem do Evangelho de S. Lucas 5,1-11 que nos apresenta uma multidão aglomerada em volta Jesus, para ouvir a Palavra de Deus, na margem do lago de Genesaré; Diz-nos o Evangelho que Jesus ao ver dois barcos estacionados na margem e os pescadores a lavar as redes, subiu para um dos barcos, que era de Simão, e pediu-lhe que se afastasse um pouco da terra. Depois sentou-Se no barco pôs-Se a ensinar a multidão. Quando acabou de falar Jesus, disse a Simão Pedro: Faz-te ao largo e lançai as redes para a pesca.

Respondeu-Lhe Simão: Mestre! Andámos na faina toda a noite e não apanhámos nada. Mas, já que o dizes, lançarei as redes. Eles assim fizeram e apanharam tão grande quantidade de peixes que as redes começavam a romper-se. Ao ver o sucedido, Simão Pedro lançou-se aos pés de Jesus e disse-Lhe: Senhor, afasta-Te de mim, que sou um homem pecador.

Jesus disse a Simão: «Não temas, daqui em diante serás pescador de homens» e tendo conduzido o barco para terra, eles deixaram tudo e seguiram Jesus.

Hoje também nos é dito a nós: Não temas, vai, dialoga e escuta! Sê fermento do Evangelho no mundo, anuncia com a tua vida a Boa Nova do Evangelho, no mundo que te rodeia; na família, na comunidade, na Paróquia, no trabalho, nas Associações, na política. Vai! Sem medo! Não fiques passivamente instalado (a) desanimado (a) com os sinais dos tempos, que não te parecem favoráveis nem propícios á proclamação do Evangelho, tem presente a afirmação: «vou porque os outros precisam de mim».

Para podermos anunciar não basta ouvir e tantas vezes ouvimos muito, mas porque não escutamos de facto, nada fica para anunciar e ser testemunho da palavra ouvida. Quantas vezes, não sucederá até, que quando nos dirigimos a Deus, através de Seu filho Jesus, procedemos do mesmo modo debitamos muitas Orações, fazemos muitos pedidos, mas não fazemos silêncio para escutar o que o Senhor tem para me dizer, dizendo-Lhe; Estou aqui Senhor, que quereis que eu faça! Jesus disse a Simão: «Não temas. Daqui em diante serás pescador de homens» e tendo conduzido o barco para terra, eles deixaram tudo e seguiram Jesus.

Não temas disse Jesus, a Simão á mais de 2000 anos e diz-me também hoje a mim e cada um de nós; Não temas, vai dialoga, escuta! Sê fermento do Evangelho no mundo, anuncia com a tua vida a Boa Nova do Evangelho, ao mundo que te rodeia, na família, na comunidade, na paróquia, no trabalho, nas Associações, na política, vai! Sem medo!

Não fiques passivamente instalado desanimado com os sinais dos tempos, que não te parecem favoráveis e propícios, á proclamação do Evangelho, vai! Mas antes está atento a esses sinais para melhor proclamares o Evangelho E sobretudo proclama-lo com o teu testemunho de vida.

Quantos de nós sentimos, na nossa missão de Evangelizadores e de Leigos comprometidos, o mesmo impulso de responder ao Senhor como Simão Pedro? Mas Senhor, já contactei várias vezes aquele ou aquela para frequentar um cursilho de cristandade ou para se comprometer no serviço da Paróquia num dos Movimentos ou obra de Apostolado existentes e a resposta é sempre a mesma, Não tenho tempo, não tenho disponibilidade, talvez um dia, depois de me reformar! Mas o Senhor continua a dizer-me e a dizer-te: vai apressadamente, como Maria foi visitar a sua prima Isabel, não desditas, lança de novo a redes, mas não te esqueças de me levar contigo através da Oração prévia. Que a minha, a nossa atitude seja sempre como a de Simão Pedro Senhor! Já que o dizes, assim farei, porque conto Contigo, conto com a Tua graça.

Cada baptizado independentemente da própria função na Igreja e do grau de instrução na fé, é um sujeito activo na evangelização e tratando-se da nova evangelização, esta deve implicar um novo protagonismo de cada baptizado.

Sabemos que cada cristão é Missionário, Peregrino de Esperança, na medida em que se encontrou com Jesus Cristo, e se deixou enamorar por Ele, como sucedeu connosco de um modo tão profundo e amoroso num Cursilho de Cristandade, onde amorosamente o Senhor nos falou no Sacrário e nos disse; Vai Eu conto contigo!

Nos tempos em que vivemos, houve-se muito, fala-se muito, mas escuta-se pouco. Para podermos anunciar não basta ouvir e tantas vezes ouvimos muito mas porque não escutamos de facto, nada fica para anunciar e ser testemunho da palavra ouvida. Muitas vezes nós os mais velhos, falamos muito, debitamos muita conversa, mesmo com os nossos filhos, mas não paramos para os ouvir, para os escutar e entrar em diálogo com eles para sentir-mos as suas preocupações e anseios. Os nossos jovens querem ser ouvidos, precisam de ser ouvidos!

Quantas vezes, não sucederá que até quando nos dirigimos a Deus, procedemos do mesmo modo debitamos muitas Orações, fazemos muitos pedidos, mas não fazemos silêncio para escutar o que o Senhor tem para me dizer, dizendo-lhe. Estou aqui Senhor que quereis que eu faça!

Diz-nos ainda o nosso Bispo na sua Carta Pastoral: Hoje é preciso reconhecer novamente que a realidade se vê melhor a partir das periferias e que os pobres são sujeitos, de uma inteligência específica, indispensável à Igreja e à humanidade.

Talvez seja aqui «nas periferias» como nos aconselhava Eduardo Bonnim, que seja onde hoje é mais imperiosa a nossa acção de lançar as redes! Ser bom Samaritano, estar atenta às periferias, que por vezes estão tão próximas de nós e que carecem da nossa atenção e escuta. E tantas vezes andamos distraídos e não damos por elas, ou passamos ao largo!

Um exemplo de atenção às periferias vem-nos de Madre Teresa de Calcuttá, cuja memória litúrgica é celebrada anualmente a 5 de setembro, data da sua morte, em 1997 aos 87 anos de idade, podendo afirmar-se que no nosso tempo Madre Teresa foi quem mais se deu às periferias distribuindo amor, compreensão, carinho e ajuda aos mais desprotegidos e até a doentes de Lepra, que no seu tempo ainda grassava na India.

E foi por tudo o que ela fez que foi galardoada com o prémio Nobel da Paz em 1979. A sua vida foi uma verdadeira lição de amor pelos mais desprotegidos deste mundo e um exemplo de como devemos estar atentos ao que nos rodeia e como actuar ao jeito do bom Samaritano da parábola do Evangelho. São dela as frases: Por vezes sentimos que aquilo que fazemos não é senão uma gota de água no mar. Mas o mar seria menor se lhe faltasse uma gota. Um coração feliz, é o resultado inevitável de um coração ardente de amor.

Todas as nossas palavras serão inúteis se não brotarem do fundo do coração.
As palavras que não dão luz aumentam a escuridão.

É fácil amar os que estão longe, mas nem sempre é fácil amar os que vivem ao nosso lado.

Nesta mesma linha de pensamento se exprime o Papa Leão XIV na sua «primeira» Exortação Apostólica “DILEXI TE” «Eu te amei! «sobre o amor para com os pobres» que data de 4 de outubro passado, começando por referir:  

«Eu te amei» diz o Senhor a uma comunidade cristã que, ao contrário de outras, não tinha qualquer relevância ou recurso e estava exposta à violência e ao desprezo: tens pouca força, mas, Eu farei que venham prostrar-se a teus pés.

É também sugestiva a forma como Papa Leão XIV termina a sua primeira Exortação Apostólica, e que está bem dentro do espírito deste trabalho; diz-nos o Santo Padre:

O amor é sobretudo uma forma de conceber a vida, um modo de a viver. Assim, uma Igreja que não coloca limites ao amor, que não conhece inimigos a combater, mas apenas homens e mulheres a amar, é a Igreja de que o mundo de hoje precisa. Quer através do vosso trabalho, quer através do vosso empenho em mudar as estruturas sociais injustas, quer através daquele gesto de ajuda simples, muito pessoal e próxima, será possível que o pobre sinta serem para ele as palavras de Jesus: «Eu te amei»

Este Rolho aponta-nos a necessidade de fazer-mos uma reflexão e perguntarmo-nos:

Como vai a minha escuta da palavra de Deus! Escuto e levo-a para a vida e sou testemunho, ou apenas a oiço e fica por aí. Tenho consciência de que é em comunidade, ligado á Paróquia que a minha «a nossa» acção dará verdadeiros frutos e seremos verdadeiros testemunhos de Cristo Vivo? Estou atento e escuto aqueles que me rodeiam, nomeadamente na família, no trabalho, na paróquia, na Comunidade, nas Instituições: Sou aí agente do diálogo franco, sincero e humilde? Tenho sido fermento que leveda a massa, ou apenas me envolvo, mas sem entusiasmo e não provoco qualquer reacção que me constitua em verdadeiro fermento, numa igreja em saída de Todos e para todos? Como diz o nosso bispo!

Tenho presente as palavras do nosso saudoso Bispo D. Anacleto; Vou porque os outros precisam de mim! No meu trabalho e na sociedade em geral, tenho procurado ser testemunho» do meu amor a Cristo Jesus, sem respeitos humanos? Tenho a consciência que ser cristão e cursilhista é ser as mãos de Deus para impedir alguém de cair? Tenho sido fermento que aleveda a massa, ou apenas me envolvo, mas sem entusiasmo e não provoco em mim qualquer reacção, que me constitua em verdadeiro discípulos de Jesus, arauto do Seu Evangelho no mundo que me rodeia? O Rolhista terminou com uma canção que se enquadra no tema deste Rolho:

Faz-te ao largo, faz-te ao mar,
O mestre continua a chamar
Teu barco na praia não pode ficar.
Faz-te ao largo, faz-te ao mar

Eu queria ser daqueles que se dão,
Partir como Tiago ou João
Mas quando olho o mar e o que tenho de deixar,
Falta-me a fé de Abraão

Eu queria minha vida entregar,
Partir duma só vez e confiar
Mas vou deixando tudo para amanha
Vou vivendo sempre a adiar.

Chegou a minha hora eu vou em frente
Eu quero ser o hoje, o presente
Pois dentro de mim, não sou feliz assim
Vou mesmo remar contra a corrente.

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