Escrito por José Borlido

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Realizou-se no dia 16 de outubro de 2018, a Ultreia Regional, na Sede da Junta de Freguesia Paróquia de Arão Valença, para os Arciprestados de: Caminha, Melgaço, Monção, Paredes de Coura, Valença e Vila Nova de Cerveira.

Estiveram presente o Monsenhor José Fernando Caldas; Padre José Maria do Vale; e Padre José Torres Lima, Assistente Espiritual do MCC; Presidente do Secretariado Diocesano, Conceição Ponte; outros membros do Secretariado e muitos Cursilhistas, vindos dos vários Arciprestados da Diocese.

Foi Reitor da Ultreia a Cursilhista, Martinha Correia e o Rolho Místico foi proclamado pelo Padre, José Maria do Vale, Pároco de Valença

O Rolho da Ultreia, foi proclamado pela Cursilhista Laurinda Pinto Neves, que começou por referir: “Somos Igreja que Evangeliza” é o tema da última Carta do Bispo da nossa Diocese, D. Anacleto Oliveira, para este segundo ano do projecto pastoral trienal que emerge da celebração dos quarenta anos da fundação da Diocese de Viana do Castelo. No 1º ano “Somos Igreja que Agradece”. Neste 2º ano “Somos Igreja que Evangeliza”.

Esta é uma Ultreia Cursilhista. Este é o “Rollo” de uma peregrina que, na sua experiência Cursilhista reavivou o seu amor por Cristo. Reenamorou-se e sentiu vivamente que tem que O dar a conhecer: com os pés, com as mãos, a palavra, o olhar, o coração, no conforto seu metro quadrado para que alastre e chegue a área mais alargada, neste mundo em preocupante e, por vezes, muito dolorosa mudança. O mundo, as pessoas do mundo, nunca estiveram tanto em movimento como hoje.

Há dias, de visita ao Vaticano, fiquei perplexa com tantas pessoas que lá se moviam. Em simples visita turística e cultural? Umas talvez, mas perpassava respeito no silêncio, mais que expectado.

Mas este é também o tempo das dolorosas peregrinações forçadas, dos irmãos violentados que têm de migrar, de deixar o seu torrão natal à procura de acolhimento. É este o tema prometido pelo nosso Bispo para o 3º ano das comemorações dos 40 anos da nossa Diocese: “Uma Igreja que Acolhe”.

Não estaremos a pensar propriamente nos migrantes que acabo de referir, mas… rezemos por eles uma oração o mais conjunta e alargada possível, para que o Divino Pastor os acompanhe e o Espírito Santo ilumine os que têm o poder neste mundo em permanente Via Crucis. O Papa Francisco reza, apela.

Só como referência muito breve li na Pastoral da Cultura, do dia 12 passado, estas palavras de Ana Zanatti, numa palestra na Capela do Rato: “Este Papa junta crentes e não crentes à sua volta!” Esta afirmação, que todos sabemos verdadeira, interpela-nos a que façamos o mesmo: não deixemos afastar-se os que creem e busquemos com o coração os que não creem ou ainda não descobriram que sim. (encontro no Furadouro).

Nesse mesmo dia 12 de Outubro, na Pastoral da Cultura lia-se: “As novas gerações deste início de 3º milénio não estão perdidas para a fé cristã, mas são muito exigentes na sua procura e, ainda que nos surpreenda, não se tornaram estranhas a Jesus Cristo e ao Evangelho”. Esta frase do Papa Francisco aquietará a constatação e consequente preocupação que o nosso Bispo manifesta na sua Carta.

Vemos tantos em peregrinação a pé, carregados, cansados, pés doridos… a caminho de Santiago, de Fátima. Porquê? Apenas porque querem andar a pé? Ou porque precisam urgentemente de silêncio, da solidão do encontro consigo próprios, da fuga do “ruído” das cidades onde vivem, do encontro com outros, com o “irmão”? Quem sabe se para um dia poderem responder a Jesus, “de cor”, quando Ele perguntar (e pergunta sempre) “onde está o teu irmão?”. “Encontrei-o, Senhor! Está aqui! À Tua Imagem!”. E que bom será se algum destes jovens que, na sua peregrinação de vida passem por nós, de nós digam “Está aqui!”

Não, não me desviei da Carta. Lembrei-me das palavras de S. João Paulo II: “Ninguém que se tenha encontrado verdadeiramente com Jesus Cristo pode deixar de O comunicar aos outros”. Este é o repto, esta é a Evangelização que nos é pedida que façamos. Recordemos S. Paulo: “Ai de mim se não Evangelizar! É que se o não fizer jamais se consumará em mim a Ressurreição já iniciada”. Aqui termina o “Rollo” pessoal e intimista.

Por considerar de importância inadiável o estudo desta Carta, proponho à Ultreia do meu Arciprestado que ela seja lida e reflectida nas nossas reuniões, constituindo matéria importante do tripé. Para hoje trago, para meditação, o ponto 37 da Carta:

Na verdade, se Jesus nos “enviou”, então somos “apóstolos”, uma vez que “enviar” traduz o grego apostélein. Segundo a concepção da época, no apóstolo está presente quem o envia. O próprio Jesus assim nos diz, no final das suas instruções: Quem vos ouve a mim ouve; e quem vos rejeita a mim rejeita; mas quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou. Por outras palavras, somo portadores do amor de Deus em Jesus Cristo, o amor que faz de nós seus discípulos missionários, suas testemunhas. Mas, em concreto, como? Jesus dá a resposta:

É, antes de mais um amor que parte da prece ao Deus, Senhor da messe, uma grande messe, - entendida à escala universal - , que, por isso, precisa de muitos trabalhadores: pedi, pois, ao Senhor da messe que mande trabalhadores para a sua messe. Mas, sejam trabalhadores que encarnem o seu amor.

Um amor que nos põe a andar em resposta ao imperativo de Jesus: Ide! Saiamos, pois, do comodismo e do medo que nos paralisam e definham. Temos pés para isso. E quem ama, não teme. Sobretudo se é movido por amor de Cristo.

Um amor provado pelo sofrimento: por nos desacomodar e, muitas vezes, por sermos rejeitados: Eis que vos envio como ovelhas para o meio de lobos – como também Ele foi enviado… e devorado. Uma ocasião, porém, aproveitada para reforçar o Seu amor, na morte cruel que sofreu. Tão forte foi Ele então, que venceu a morte para sempre e nos continua a amar.

Um amor desprendido de tudo, até do mais elementar: por isso, não leveis bolsa, nem alforge, nem sandálias, nem saudeis ninguém pelo caminho, uma perda de tempo. Como Ele, que pouco antes desabafava não ter sequer onde reclinar a cabeça (Lc 9, 58). É que, habitualmente, o amor gera amor em quem o recebe.

O amor criador da paz, que nos harmoniza com todas as fontes de vida: connosco próprios, com os outros, com a natureza e, acima de tudo, com Deus. Daí ser o primeiro desejo, logo à entrada: Paz a esta casa! Se for aceite, torna-se num amor correspondido.

Um amor partilhado, nomeadamente pela alimentação: permanecei nessa casa, comendo e bebendo do que tiverem; pois um trabalhador é digno do seu salário. Mas, cuidado! O trabalho tem de ser feito exclusivamente por amor.

Um amor desinteressado e gratuito: isto é, não andeis de casa em casa em busca de (…) compensadoras retribuições. Como, infelizmente ainda hoje se faz, com a comercialização, mais ou menos descarada, até das coisas mais sagradas do Deus de todas as graças e do amor incondicional. Um amor paciente, que não desanima perante desaires: sacuda-se até o pó que se apegou aos pés, se não o receberem numa cidade, e esqueça-se. Mas que, pelo menos, os seus habitantes fiquem a saber que o Reino de Deus está próximo. Quem sabe se um dia o anúncio não possa vir a germinar e a dar frutos.

Nota: O Rolho foi integralmente transcrito do seu original, apresentado na Ultreia, elaborado e proclamado pela Cursilhista, Laurinda Pinto Neves.

 

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